20/07/2017

Horizontes verticais



As vezes eu me sento para escrever sem nenhuma história para contar. Ainda assim me sento para escrever. Não há nenhuma história para contar, mas existe a vontade de contar alguma história. Nunca fui um bom contador de histórias, mas meu fascínio por boas narrativas me colocou aqui, no lugar de onde falo. De onde me exerço. Talvez eu não queira morrer em silêncio, morrer sem ter me anunciado, por isso escrevo. Quase todos morremos em silêncio, quer dizer, sendo silenciados repentinamente. Não quero correr o risco de não ter dito o que queria dizer, por isso me antecipo. Meus epitáfios apontam para o futuro, não para o passado. 

03/02/2017

Alguém por assinatura


Em casa, quando criança, havia um quadro grande que, convertido as medidas que meus olhos lhes daria hoje, seria coisa de um metro de largura por pouco mais da metade disso de altura. Ilustrado por um Ford da década de 20, foi a peça decorativa mais imponente do meu quarto, tanto que é a única que me lembro de ter havido nele. 

29/01/2017

O colecionador d'ela



Eleger ou admitir um melhor amigo não significa que este não possa te magoar. Foi assim que ganhei uma cicatriz no dedo médio da mão direita, foi assim minha reprovação na sexta série do ensino fundamental e foi assim que perdi uma coleção de cartões telefônicos. 


13/12/2016

Eu, os outros


Acho que nasceu comigo certo fetiche por opções rejeitadas. Não escolheram? Eu escolho. Sobrou? Eu quero. Visto-me dos retalhos, me alimento das sobras. Minha vaidade é querer não ser vaidoso e, por isso mesmo, não conheço ninguém mais vaidoso do que eu. La pelos idos da quinta série do ensino fundamental, a escola estava efervescendo democracia. Período de eleições para a diretoria, eleições de líderes de turma, conselho e grêmio estudantil. Até onde me lembro, foi a primeira vez a perguntarem minha opinião demonstrando interesse pela resposta. 

10/11/2016

Para Marina, com carinho, Feliz Aniversário


Varginha, 10 de novembro de 2017


Por várias vezes nos vemos reclamando de projetos não realizados, sonhos adiados e uma certa sensação de inércia na vida. Com você é assim, comigo também é assim, reconhecidamente somos procrastinadores. Ao longo dos meus 28, e você agora adquirindo seus 24, são muitas ideias inacabadas, iniciativas pela metade, viagens não realizadas e alguns planos infrutíferos.